sábado, março 24, 2007

Mudanças

Eu me lembro nitidamente de quando recebia o jornal somente em preto e branco. Achei o máximo quando começaram a implementar cores, mudar layout, novas columas e artigos. Atira o interesse, atrai a atenção do leitor.

Com pretensões menos ambiciosas que o Estado de São Paulo, apresento o novo design deste blog (aliás Lívia, valeu pela ajuda!). E agora que estou aprendendo a 'fuçar' nesse negócio, com um pouco mais de tempo, ainda mais mudanças virão.

Bom final de semana!

sábado, março 17, 2007

Diretamente do Eurostar

Um sanduíche meio duro de presunto e queijo desce quase seco. Eu o ‘empurro’ com algumas golfadas de Minute Maid de maçã. A moça ao meu lado dormiu antes mesmo que o toque de fechar as portas fosse dado, ainda bem que dormiu com os braços cruzados porque depois de um dia de corre-corre (pra mim e acho que também pra ela), o desodorante já dá sinais de exaustão.

Eu estou no Eurostar, a maravilha que liga duas das principais capitais européias em pouco mais de 2h30 (em breve serão somente 2h20). Estou partindo para mais um treinamento para outra família que está de mudança para o Brasil. A última vez que tomei o Eurostar foi para ir encontrar com a minha família que tinha chegado na Europa por Londres. O clichê ‘o tempo voa’ tem se aplicado aos meus dias de forma literal.

Desde que comecei a trabalhar convivi no meio de estrangeiros. E sempre gostei dos europeus em geral, mas por vezes pensava que não existia muita flexibilidade neles e que tudo tinha que ser planejado com antecedência. E considerando que sou eu quem estou dizendo isso, o Mr. Organização aos olhos dos outros Brasileiros, imagino o que os outros Brasileiros pensam desses organizados estrangeiros.

Dessa vez estou aqui para testemunhar em favor dos Europeus – agora eu os entendo. Hoje na hora do almoço estava conversando com uma garota do departamento ao lado e ela disse ‘Quando é que a gente vai finalmente jantar naquele restaurante Brasileiro perto da Bastille?’. Me peguei pensativo, tentando visualizar que dia poderia combinar de ir jantar com ela. Para o meu alívio ela disse ‘Pra mim seria ótimo se fosse no mês que vem’. Não hesitei e respondi ‘Perfeito’.

Trata-se da mais pura verdade. Combinamos um jantar para aproximadamente daqui um mês. Entre trabalho, academia, limpar a casa, lavar e passar roupa (saudades do Brasil...), sair com os amigos, ir ao teatro, cinema, viajar (a trabalho ou a passeio), brunch no domingo, escrever no blog, receber os meus hóspedes aqui em Paris, jantar de despedida para a minha amiga do MBA que volta pra Taiwan...sei lá até onde poderia continuar essa lista.

Voltando para a minha agenda, percebi que caso alguém queira combinar de fazer algo num final de semana comigo de agora até Junho, vai ser difícil. Não, não se trata de um erro de digitação, eu disse Junho mesmo. O melhor é o mês de Maio, com a visita da minha irmã, Dani e Ju – entre Barcelona, Vale do Loire, Cirque du Soleil e La Rochelle, eu preciso arrumar tempo pelo menos para lavar as cuecas entre um “evento” e outro.

Agora com blog devidamente atualizado, vou copiar a minha colega aqui do lado e tirar um cochilo antes que o condutor anuncie a nossa chegada a Waterloo.

PS - Estou em Waterloo agora esperando para voltar para Paris. Isso aqui está uma zona devido à ameaça de fogo ontem em sei lá qual estação. Vou chegar em Paris atrasado, mas pelo menos parto hoje.

domingo, março 04, 2007

Alerta aos dentistas: NÃO leiam essa história!

Alerta às pessoas sensíveis para que não continuem a ler esse texto. Principalmente aos dentistas, pois não garanto as consequências causadas devido à continuação da leitura.

Num paralelo com a história anterior em que contei que dei um treinamento para estrangeiros que mudarão para o Brasil, esqueci de mencionar que um dos fatos relatados pelos estrangeiros é que nós Brasileiros somos preocupados com a higiene: tomamos banho todos os dias, trocamos de roupa, escovamos os dentes 3 vezes por dia, etc. Convenhamos, nada mais normal que isso, não? Eu iria mais longe e diria inclusive que se tratam de regras básicas para um bom convívio social. Mas parece que nem todas as culturas pensam da mesma forma.

Por exemplo, não creio que o hábito do fio-dental seja tão comum aqui na França como é aí no Brasil. Digo isso devido à falta de opções quando queremos adquirir o tal produto por aqui. Aí no Brasil nos perdemos diante da variedade de tipos e marcas, aqui na França tem uma caixinha azul, sem marca com um fio-dental terrível que machuca a gengiva e que uma vez se rompeu enquanto eu usava nos dentes do fundo e não vale a pena discorrer aqui o tempo que levou para eu tirar o maldito fio do meio do meu dente.

Enfim, ao saber que um conhecido viria da Alemanha aqui para Paris, supliquei: “Será que você poderia me trazer um fio-dental Oral B Satin, pois não encontramos por aqui?”.

Três dias depois, o tal colega chega aqui em Paris e diz “Aqui está o fio-dental, trouxe 3 ao invés de 1 (eu pulei de alegria!), tive que percorrer 6 farmácias até encontrá-lo”.

Uma vez dito isto, ele solta: “Mas me fala uma coisa, como é que você usa isso? Sabe o que é, eu nunca usei antes”. Diante da minha cara de assombro, ele completa “Será que eu posso observar quando você usar hoje para ver como funciona?”.

Dispensa comentários. Nem queiram imaginar o estado dos dentes do sujeito.

Moral da história: eu acabei mostrando como eu passo o fio-dental, mas ele fez uma cara “meio” de nojo e se retirou logo. Devia ter seguido a sugestão do Renato: abrir o fio-dental, passar no meio da bunda dele e ter dito “então, no Brasil esse é o famoso fio-dental, você está pronto para ir tomar sol em Ipanema!”.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Virei consultor

Recebi um e-mail na semana passada cujo títutlo era “Country Specialist”. Mas que raios seria isto? Descobri que essa empresa precisava de um Brasileiro para ser consultor por um dia para dar um treinamento para uma família de americanos, que atualmente mora aqui na França, e que está prestes a se mudar para o Brasil.

E cá estou eu no TGV a caminho de Grenoble para o tal treinamento.

Então o que eu tenho que fazer? Não muito, vou como assessor dos treinadores para falar sobre o Brasil, o que eles devem esperar, como fazer negócios com os Brasileiros, como se comportar afim de minimizar os choques culturais, enfim, nada de muito difícil. Porém como se trata da primeira vez que sou requisitado para tal coisa, ‘um pouco’ perfeccionista que sou, resolvi me preparar de acordo para o tal treinamento.

Já ouvi alguém dizer que o ser humano adora falar de si mesmo, então essa preparação foi um aprendizado do que é o “Brasileiro”. Detalhes que por vezes podem passar despercebidos justamente pelo fato de eu ser um, saltam aos olhos quando leio o e-mail de alguns amigos que foram expatriados no Brasil e para quem eu pedi uma ajuda no sentido de me dar uma visão do que um estrangeiro sente quando põe os pés no Brasil.

Unanimidade entre todos é o fato de que para uma adaptação completa um estrangeiro precisa falar português – e é a mais pura verdade. Mesmo que num círculo social todos falem inglês, a gente gosta mesmo é de falar português. E convenhamos, nem sempre todo mundo fala inglês...outra unanimidade é que somos um povo amigável e receptivo - e disso a gente sabe.

Somos curiosos para descobrir o que os estrangeiros têm para nos contar, temos uma comida que ainda faz com que os que partiram tenham água na boca quando lembram da carne tão macia e tenra que nem requer muito esforço para contar. Pão de queijo, arroz, feijão, a lista segue...

E quando um Brasileiro marca um jantar para às 20:00, ele quer na realidade dizer que não espera que você chegue antes das 20:30. Mínimo 20:15 porque se bater antes corre o risco de pegar os anfitriões saindo do banho. Eu particularmente sofro com essa característica Brasileira, já que costumo chegar 5 min. antes.

Somos religiosos e supersticiosos ao mesmo tempo. Valorizamos a família e damos um valor igual ou superior à ela daquele que damos ao trabalho. Não gostamos de ouvir os outros criticando o nosso país, temos orgulho de ser Brasileiros e não gostamos de ser confundidos com hispânicos – nós falamos português!

Temos um país tão grande e tão diverso que conta como um continente com praias e paisagens para todos os gostos.

E agora cheguei aqui nessa parte do texto e fiquei pensando que existem os problemas também...e são vários. Mas daí resolvi que pelo menos dessa vez, não falarei dos problemas do Brasil, pois estes estão ao nosso redor, no dia-a-dia, nas notícias, e às vezes esquecemos de ressaltar as qualidades do nosso país e dos Brasileiros.

Fica aqui o registro de um cidadão Brasileiro que adora o Brasil (mesmo que o tenha deixado para vir morar na Europa).

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Tal pai, tal filho

Acabei de receber um e-mail com um comentário para a minha história abaixo (O Verdadeiro Luxo), porém um comentário tão especial assim merece um lugar aqui na página principal.

"Alan

Li o seu Blog e fiquei imensamente feliz por fazer parte deste grupo, dinheiro todos precisamos, mas apenas como algo para ser trocado, pois as coisas mais importantes da vida o dinheiro não compra, como a amizade por exemplo.

Quando se tem conhecimento, disposição, boa vontade, bom senso, dificilmente ele faltará.

As vezes quando estou sozinho sonho acordado, poderia ter feito isso ou aquilo, seguindo algum pensamento chego até a ficar milionario, mas quando olho para os lados não vejo vocês (Silvia, Alan, Amanda e Adam) aí chego a conclusão que não me interessa.

O bom mesmo é ter uma vida como a nossa, indo de ônibus até Juara, comendo um bife com arroz no Jumbo, depois passando para a Pizza do Beira Rio, dando umas voltinhas de avião, e até uns passeinhos pela América, Europa, Oriente Médio etc.

Filho não escrivi no Blog porque não tenho senha e não sei como cadastrá-la, se você quiser transcrever para o blog fique à vontade.

Um grande beijo e Deus te abençoe, o pai te ama muito.

Durval"

quarta-feira, janeiro 24, 2007

O verdadeiro luxo

Viajar de primeira classe ou melhor ainda, viajar no próprio avião ou fretar um; a última coleção Armani (Giorgio óbvio, não Emporio), Gucci, Dolce & Gabbana e todas as outras últimas coleções das lojas da Avenue Montaigne; os restaurantes três estrelas Michelin com pratos tão cuidadosamente pensados e criados de forma a serem praticamente uma obra de arte, uma jóia peça única...enfim, a lista do luxo pode se estender por parágrafos e mais parágrafos.

Faz sonhar. Empresários, consumidores, trabalhadores...Para os primeiros, o que pode ser melhor de ter um produto para ser vendido para aquela gama da população que pode comprar 'quase' tudo sem se preocupar com preço, liquidação ou pechincha? Produzir um produto diferenciado em que pouco importa o preço, mais vale o status de tê-lo e poder exibí-lo. Já para o consumidor (será que o comprador de luxo também pode ser chamado consumidor? Deveria ter uma expressão mais chique, consumidor é meio pobretão, não?), este busca se distinguir dos demais e salientar ainda mais o valor da sua riqueza. Roupas caríssimas, finais de semana jet setting nas cidades, hotéis e restaurantes mais badalados do mundo - you name it, tudo o que tiver uma aura de exclusividade é o suficiente para atrair a atenção deles. Já para os trabalhadores, fica o desejo de trabalhar para uma marca que vende 'sonhos', o quase inatingível...

Não sou capaz de precisar o número de formandos da minha turma cujo alvo era trabalhar com o mercado do luxo. Provavelmente metade da turma. Talvez mais.

A ilusão do glamour atrai muitos. Seja pelo métier em si, seja pelo contexto de se infiltrar em um seleto clube, com acesso a poucos.

Fazer um MBA numa das mais prestigiadas universidades do mundo pode ser considerado um luxo. Seja pela seleção acirrada daqueles que farão parte das pessoas a segurar esse título, seja também pelo preço que se paga pelo curso. Tendo dito isto, contratar um MBA é praticamente um luxo para as empresas também, que precisam chegar aos famosos níveis salariais que pedem esses graduandos.

Para a grande maioria, o salário pós-MBA é o fator MAIS importante de todos na negociação para o emprego que nos aguarda ao final do curso. Eu sempre me questionei se esse é o fator que realmente o que me levaria a tomar a decisão final quanto aos próximos anos da minha vida.

E é justamente aí que eu volto no paradoxo do luxo. O que é realmente o luxo? De alguns amigos que vão trabalhar no setor financeiro em Londres, com salários altíssimos, eu ouvi que antes da meia-noite eles nunca conseguem deixar o escritório. E final de semana, esquece. Aí entra a pergunta - e com a fortuna que eles ganham, fazem o que?

Longe de mim a intenção de ser hipócrita nessa analogia, todos sabem do meu sentimento pró-capitalismo e do meu 'gosto requintado', que requer dinheiro para ser mantido; mas ter que trabalhar 13, 14, 15 ou mais horas por dia, todo dia, como uma rotina, faria com que eu estivesse tão cansado que nem teria tempo ou vontade para gastar o dinheiro com o meu 'gosto requintado'. E me pergunto como fazem com a vida pessoal e social.

Chego à inevitável conclusão de que depois de um certo nível social, o luxo passa se chamar 'tempo'. Tempo para viajar, tempo para cuidar de si mesmo, tempo comer (ou cozinhar) pausadamente uma boa refeição, tempo para ser gastos com as pessoas que a gente ama...e como o tempo não pode ser comprado (pelo menos por enquanto), o mesmo se torna raro, precioso!

Não creio estar dizendo algo novo aqui. Muita gente chega a essa conclusão, mas quando percebem, por vezes já é tarde demais e daí, mais uma vez, o tempo não permite voltar atrás. Decisões devem ser ponderadas e muitas vezes não é somente na razão que encontramos a resposta que nos trará felicidade. Pelo contrário. Acho que nas mais importantes decisões da vida, a intuição tem uma grande influência. Para mim por enquanto tem funcionado!

domingo, janeiro 07, 2007

Não foi em Copacabana, mas...

9…8…7…6…5…4…3…2…1…

E mais um ano termina e fogos de artifício no mundo todo estouram para anunciar a chegada do ano novo.

Eu ainda não tive a oportunidade de passar o ano novo em Sydney, Cape Town ou em várias outras cidades do mundo, mas de todas as minhas festas de ano novo, o Brasil ganha disparado nesse quesito. Calor, verão, praia, todo mundo vestido de branco, as tradições para trazer sorte no ano seguinte – tudo isso coloca a gente num clima muito especial que está longe do que senti quando passei o ano novo nos Estados Unidos ou aqui na Europa.

Mas esse ano foi diferente. Cansado das festas caras e chatas que são organizadas para o réveillon em Paris, um grupo de amigos resolveu rumar para o sul da França para celebrar a chegada de 2007 em Saint Chinian, lugar que até mesmo poucos dos franceses com quem conversei já estiveram ou até mesmo conhecem.

As reações eram sempre parecidas “Ããã, onde?” e eu calmamente respondia “Saint Chinian, fica a uma hora de carro de Montpellier”. Estávamos em um grupo de oito pessoas e alugamos quartos no que eles chamam em francês de “Chambre et Tables d’Hôtes”, ou seja, uma pensão tipo bed & breakfast onde o dono do local é também o cozinheiro e prepara o jantar para os hóspedes todas as noites.

Sem ter que se preocupar com o que fazer ou onde ir na noite do dia 31, o fato é que nós passamos um réveillon super agradável – boa companhia, ótima comida (e eu fiz eles cozinharem lentilha pra gente pra trazer dinheiro em 2007, trazendo as tradições brasileiras para a França), muita música, ambiente agradável e a falta da praia para pular as sete ondas nem foi tão importante.

Para os amantes de viagens como eu, uma breve sequência do que visitamos e quando estiverem na França com tempo para explorar o país, essa região vale a pena de ser visitada. Com cidades medievais, vinícolas e boa comida, a região de Languedoc-Roussillon tem um charme e caráter extraordinários.

Logo na chegada aproveitamos para visitar Montpellier antes de seguir para Saint Chinian. Eu adorei Montpellier! Cidade universitária, cheia de gente, bons restaurantes, o centro da cidade é charmoso e as pessoas são agradáveis. Acredito que no verão a visita seja ainda melhor, quando além da cidade, pode-se também aproveitar o mar.

De St. Chinian exploramos as cidades de Roquebrun e Olargues. Em Roquebrun comemos em um restaurante com vista para o rio e no caminho entre esses dois vilarejos passamos por Gorges d’Héric, que traduzindo ao pé da letra quer dizer Garganta de Héric, que são uma série de montanhas, altas e com cortes abruptos, que formam uma paisagem magnífica. Em Olargues, numa igreja do século XI visitamos uma exposição de presépios vindos de diferentes partes do mundo.

No dia 31 queríamos ao menos chegar perto do mar. Seguimos para Perpignan (pedido do Mike, ou melhor insistência do Mike, porque todos sabíamos que não tinha nada pra ser visto por lá), e depois seguimos para Collioure, cidade beira-mar quase na fronteira com a Espanha. Parecia que tínhamos pulado o inverno e já chegado na primavera, pois o sol brilhava, a temperatura era de 16 graus e a paisagem de um vilarejo às margens do Mediterrâneo é algo sempre agradável. Poder sentar na varanda de um restaurante aqui na França em pleno mês de dezembro é algo maravilhoso e estar perto do mar no último dia do ano com tamanha beleza ajuda a recarregar as energias para o ano seguinte.

No dia 1 levantamos tarde e seguimos para Minerve, considerada uma das mais belas cidades da França. Realmente linda e vale a pena a visita, só que tudo estava fechado! Então a nossa visita não durou muito tempo e de lá o resto do pessoal queria seguir para Carcassonne, onde eu acabei de ir com os meus pais, mas fui sem problemas, porque adorei Carcassonne, a cidade medieval mais bonita e melhor conservada da França, patrimônio da Unesco.

E no dia 2 era hora de voltar pra casa. E começar o trabalho novo, só que agora não mais como um projeto, mas como contrato definitivo, o que me dá direito a férias, então já posso começar a pensar onde será a próxima jornada. Pra dizer a verdade, eu já sei pra onde vai ser...ou alguém acha que eu concluo uma viagem sem ter outra em mente?

Collioure


Minerve

Les Gorges d'Héric


Roquebrun


domingo, dezembro 24, 2006

Reach - O que vem agora?


Reach em português quer dizer alcançar, chegar a algo, atingir um objetivo. Começei este blog pouco antes de começar o meu MBA aqui na França e é difícil de acreditar que esse MBA chegou ao fim na última quarta-feira, 20 de Dezembro, quando tive o meu último seminário. Oficialmente continuo com o status de estudante até Junho próximo, quando acontecerá a colação de grau oficial e também teremos a festa, porém as aulas já terminaram.

Objetivo alcançado! Sensação boa de dever cumprido e meta atingida.

A foto acima foi feita na última sexta-feira durante o nosso jantar de pré-formatura. Esse jantar foi feito porque dentre todos do grupo, uma boa parte das pessoas está partindo seja para os seus países de origem, seja para trabalhar em algum outro país e muitos não estarão presentes para a cerimônia oficial de formatura em junho.

Claro que a obtenção do MBA é um motivo de comemoração, mas depois de um ano e meio intensos, onde aprende-se muito, conhece-se muita gente interessante e de vários cantos do mundo e onde pensa-se muito o que fazer da vida depois que sairmos do curso; um laço forte passa a unir todo mundo e nessa hora notamos que não vai mais ser tão fácil marcar um jantar numa sexta-feira à noite para ver os amigos do MBA.

O jantar foi sensacional - o lugar era muito bonito e a comida estava ótima, mas o melhor mesmo foi reunir quase todo mundo do MBA para uma noite juntos, antes que o grupo se desfizesse. E além do mais, ainda tivemos uma cerimônia tipo Oscar onde fui eleito "Friendliest Male HEC MBA" e a Monica Cuello da Venezuela levou o mesmo prêmio para a categoria feminina.

Da minha parte, depois de 10 anos passando por Jundiaí, Curitiba, São Paulo, Santos, Copenhagen, Beirute, de volta pra São Paulo e depois Paris, a sensação foi de alívio de não ter que fazer as malas e partir novamente. Sinto-me feliz em poder ficar aqui em Paris e não ter que passar por uma fase de adaptação novamente. Está na hora de pensar em construir algo mais duradouro, fixar um pouco de raízes.

E agora a minha pergunta é: abri esse blog para poder compartilhar o meu trajeto aqui na França e pelo mundo durante o MBA. Com objetivo alcançado, qual será o destino do blog? Adorei ter feito esse blog - conheci gente nova através dele, mantive contato com os meus amigos e estou convencido que deveria ter feito algo assim antes, pois hoje é fácil entrar aqui e ver a retrospectiva de tudo o que aconteceu nesses últimos 18 meses comigo, ler os comentários, olhar fotos, recordar bons momentos e outros não tão bons assim...

Vou continuar atualizando este blog, só não sei se com a mesma frequência, afinal de contas a vida corporativa não deve me deixar tanto tempo livre e não sei quão interessante serão as histórias daqui pra frente.

O título vai continuar sendo o mesmo, mas preciso de uma nova descrição para o blog - qual será ela? Idéias são bem-vindas nos comentários.

E a todos vocês eu desejo um Feliz Natal e que 2007 seja pleno de novos objetivos e também de realizações!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay!!

Eu sou um pouco supersticioso. Assim como a maioria dos brasileiros também o são. Chega essa época de final do ano então, a coisa piora - roupa branca para a passagem do ano, pular 7 ondas na praia quando dá meia-noite, comer lentilha para ter dinheiro no ano seguinte e assim segue a lista...

Em 1999, eu fiz como manda o figurino, saquei minha moeda e atirei nas águas da Fontana de Trevi para um dia poder voltar à Roma. E lá estava eu no último final de semana, 7 anos depois da minha primeira visita à bela capital italiana, acho que estava ainda mais bonita de quando eu a vi pela primeira vez.

É impressionante como uma cidade foi construída ao lado de monumentos tão importantes e tão grandiosos.

Confesso que depois depois de todos esses anos, eu não tinha a imagem de Roma completamente nítida na minha memória, então sair do hotel no sábado de manhã e dar de cara com o Coliseu foi um enorme prazer. Ainda mais num dia que mais parecia de primevera do que de final de outono, com céu azul e sol brilhando.

Depois do Coliseu segui através do Foro Romano e diz a história que os conquistadores o atravessavam aos clamores e palmas do povo, porém o atravessavam com um escravo atrás dizendo "Lembre-se, você é mortal" para que eles não ficassem fora de si com tanta popularidade. Ali era o centro do poder de toda a região do Mediterrâneo e na época um dos locais mais importantes no mundo.

Passei ainda pelo Pantheon e pela Praça de Espanha, onde alguns milhares de romanos e turistas se misturavam tentando achar as melhores ofertas de Natal. E depois de um dia maravilhoso, era hora de tomar o metrô para seguir de volta ao hotel e é nessa hora que vi que nem tudo são flores em Roma. Milhares de pessoas tentando sair, enquanto outras milhares tentavam entrar na estação, tudo isso diante de UMA SÓ máquina que vendia bilhetes e trombadinhas para todo lado. Dei meia volta e segui a pé pela Via Veneto até a próxima estação.

O domingo também amanheceu com sol. Tomei café e segui para o Vaticano. Sem realmente ter planejado, chego perto do Vaticano e vejo um monte de gente correndo, entre elas algumas freiras filipinas e somente ao cruzar os arcos que levam à Praça de São Marco, noto que o papa está na janela abençoando todos os fiéis em várias línguas e pedindo paz no Oriente Médio. Não sei o que dizer do Vaticano, mas foi a segunda vez que lá estive e posso afirmar que pra mim existe algo de mágico no lugar, que sempre me trazem lágrimas aos olhos. A benção do papa eu dediquei ao meu pai, que queria tanto ter visto o João Paulo II em 1999, mas depois de 2 horas de atraso e nada do papa, tivemos que correr para a estação para tomar o trem para Veneza.

Assisti ao final da missa dentro da Basílica de São Pedro e de pude então compreender a sensação de paz daquelas brasileiras que saíram da Notre Dame, com a diferença de que eu não me coloquei lá na frente da igreja e nem tirei foto com flash do padre quando ele estava vindo dar a comunhão. E quando saí, uma chuva começava a cair sobre Roma. Segui pela avenida principal e notei uma enorme bandeira brasileira - trata-se da Embaixada do Brasil em Roma, em localização privilegiada, bem ao lado do Vaticano. Uma quadra depois, vejo a bandeira argentina, mas junto com a russa. Conclusão, nós estamos mais perto do Vaticano e não temos que dividir o prédio com ninguém.

No caminho de volta ao hotel, no qual tomei chuva sem parar e minha meia fazia "tschoc, tschoc" de tão enxarcada que estava, ainda passei pela Piazza Navona, mas a fonte que fica no meio dela e representa os grandes rios do mundo, está sendo restaurada.

E num parágrafo a parte vem a comida. Já acostumado com os preços parisienses, eu achava difícil acreditar que estava comendo tão bem e por tão pouco. Uma típica trattoria ao lado do hotel tinha uma comida tão boa, que os meus dois jantares foram nela. Comi uma das melhores panna cottas da minha vida e a pizza só perde para uma outra pizzaria numa pequena cidade no norte da Itália chamada Montebello, e nem estou dizendo isso porque o dono da pizzaria é o Henrique...

Enfim, Roma é maravilhosa e espero não ter que esperar mais 7 anos para revê-la. Por via das dúvidas, dessa vez joguei duas moedas na Fontana di Trevi, uma com a mão direita e uma com a mão esquerda. Afinal de contas no creo en las brujas, pero que las hay, las hay!

segunda-feira, novembro 27, 2006

Ando meio sem inspiração

Deve ser a falta de tempo. Ou também pode ser a chegada do outono, quase inverno aliás, com dias mais curtos e certamente mais frios. Talvez os dois. Mas o que é certo é que não tenho muito do que me queixar - como já havia anunciado antes, negociei o meu contrato com a Carlson Wagonlit Travel aqui em Paris para continuar trabalhando para eles depois do MBA. Vou dar continuidade ao projeto que comecei em Agosto, que agora deve atingir um status global e depois de termos dado o ponta pé inicial aqui na Europa, vamos começar o mesmo na América do Norte, América Latina (quem sabe eu não acabe numa viagem de negócios aí no Brasil) e Asia Pacífico.

Estou num departamento estratégico cujo objetivo é desenvolver a parte de venda de hotéis dentro do grupo, principalmente para os clientes atuais; mas como já havia mencionado antes, não acho apropriado ficar escrevendo muito sobre o que faço aqui no blog uma vez que várias das informações com as quais lido são confidenciais. E de qualquer maneira, não quero entendiar ninguém com histórias de trabalho.

Há dois finais de semana estive em Hamburgo. Foi a minha segunda vez por lá. A primeira tinha sido a trabalho em Janeiro de 2005 e fazia um frio "de cortar". E além do mais eu estava lá a trabalho. Dessa vez foi diferente, fui pra lá para rever o Renato e a Ane, que estiveram aqui em Paris para o show da Marisa Monte em Outubro. Os anfitriões não poderiam ter sido melhores e tomaram conta de todo o programa com muitíssimo esmero, que incluiu uma visita a Lubeck, onde come-se o melhor marzipã do mundo.

Ainda em Hamburgo assistimos a uma peça chamada Noises Off. Quando o Renato me convidou para ir assistir uma peça dirigida pela amiga dele, pensei "Xii, aí vem bomba", mas topei. Acabou sendo uma das melhores peças de comédia que eu já assisti e nós chegamos a chorar no teatro de tanto rir. Trata-se de uma peça dentro da peça, onde temos a impressão que os atores estão ensaiando para a noite de abertura, o que a torna difícil de ser encenada, porém extremamente divertida. Como o roteiro dessa peça já ganhou vários prêmios, se alguém tiver a oportunidade de ver uma das montagens, eu recomendo.

Já no último final de semana estive em Lille, onde tinha um aniversário. Talvez por estar ao norte, na fronteira com a Bélgica, eu sempre tive a impressão que Lille seria uma cidade feia e sem grande interesse.

Lille fica a 220 km de Paris, que o TGV faz confortavelmente em 1 hora (eita maravilha morar em país desenvolvido!). Ao sair da estação central de Lille, dou de cara com um chafariz em frente a uma avenida cheia de elefantes indianos em ambos os lados da rua. Ops, deixa eu corrigir, estátuas de elefante. Era como se estivesse na India, mas com pelo menos uns 20 graus a menos e com tudo organizado.

A cidade, que foi a capital européia da cultura em 2004, está promovendo esse ano o Lille 3000, que proporciona ao visitante uma viagem à India. Em 2008 será uma viagem ao Leste Europeu.

Eu infelizmente só tive tempo de visitar uma das exposições do evento, chamada "Bombay, Maximum City". Mesmo tendo as minhas reservas com a India, devo dizer que saí da exposição completamente encantado - trata-se de uma exposição onde podemos caminhar entre as obras, observar as esculturas e objetos expostos, chegar perto deles, colocar o fone de ouvido e assistir a um documentário cuja pequena televisão foi colocada dentro de uma lata e várias latas se enfileram, uma ao lado da outra, mostrando imagens e depoimentos de gente comum sobre as tradições indianas e como é a vida em Bombay. Outras obras contrastavam a pobreza com o desenvolvimento tecnológico do país. Uma maquete dá ao visitante uma idéia do que é um subúrbio em Bombay, que não é muito diferente de uma favela Brasileira e um documentário super interessante mostra um trem que circula por Bombay somente para mulheres, onde o papel desse trem passa de um mero meio de transporte para um ambiente social onde essas mulheres festejam casamentos, choram mortes, trocam confidências...

Enfim, fiquei estupefato com a exposição. E também sempre me surpreendo com a quantidade e variedade cultural a qual temos acesso aqui na Europa, talvez seja pela diversidade do Europeu, que está sempre curioso para discutir diferentes temas e ver o que se passa fora daqui.

Próximo final de semana fico aqui em Paris. E na semana seguinte tenho uma viagem a trabalho para Roma e Bari. Como irei pra lá na quinta e sexta-feira, aproveitarei para passar o final de semana em Roma, que só estive uma vez na minha primeira viagem à Europa em 1999, então estou louco para voltar pra lá e redescobrir talvez a segunda mais bela capital européia. Só pra evitar confusão, é óbvio que a primeira é Paris!

Última destino: Paris


5 horas de TGV separam Toulouse de Paris

Os três mosqueteiros com o Hôtel de Ville ao fundo

Renata, Amanda, Junior e Adam em frente ao Louvre

Momento de descontração em casa

Minha mãe e meu pai no Palácio de Versalhes

Família reunida para a foto com o Arco do Triunfo

Eu, Adam, Amanda, Mike e Patrick no Café des Anges, um dos meus bistrôs favoritos de Paris

Toulouse





terça-feira, novembro 21, 2006

Próxima parada: Carcassonne

Ahh, finalmente sol! E comida boa com preço razoável. Bom, razoável pelo menos para os padrões europeus. Nós adoramos Carcassonne, a cidade medieval é super bem preservada e domina toda a cidade.
O contratempo de ter que esperar uma hora pelo taxi no Aeroporto de Carcassonne para poder chegarmos ao hotel foi compensado com uma refeição tipicamente francesa, com entrada, prato principal e sobremesa. Essa região é conhecida pelo cassoulet (quem acompanha o blog desde o começo já conhece o cassoulet, até já comparei com o que a Tia Graça faz no Brasil...), que foi o que comemos naquela noite e estava fantástico!!






P.S. - Por algum motivo que desconheço, estou com problemas para continuar colocando fotos aqui no blog, então Toulouse e Paris terão que ficar para outro dia.

Finalmente as fotos da viagem da minha família aqui na Europa - Londres

Depois da minha festa de aniversário aqui em Paris, eu e a Débora tomamos o Eurostar para Londres.
O tempo estava péssimo, mas encontrar a minha família, que eu não via desde Fevereiro foi ótimo. E ainda revi bons e antigos amigos como o Dominik e a Cristina, que trabalharam comigo na Maersk e também encontrei com a Weikang, uma amiga chinesa que está fazendo estágio em Londres.
Na capital inglesa assistimos o espetáculo do Blue Man Group.

Toda a família reunida num pub depois do Blue Man para assistir a corrida da Fórmula 1 no Brasil

Meus amigos Dominik e Weikang

Eu e a Cris

sexta-feira, novembro 17, 2006

Hamburgo, aí vou eu...

Semana agitada e de grandes decisões e negociações. Aliás, para aqueles que não entenderam o paralelo abaixo do "Dia do Fico", aceitei a proposta da Carlson Wagonlit Travel, onde atualmente estou fazendo o meu projeto do MBA, para continuar trabalhando com eles depois de Janeiro. Certamente vou fazer um post especialmente para isso, porém ando completamente sem tempo.

E no fim de semana, quando teoricamente eu poderia sentar e colocar aqui as fotos da viagem com a minha família, contar mais sobre o que anda acontecendo por aqui, etc; não é exatamente isso que acontece. Daqui 15 minutos saio do trabalho e sigo direto para o aeroporto para ir passar o final de semana em Hamburgo, na casa do Renato. Então maiores notícias, só semana que vem.

Bom final de semana pra todos!